É COM PESAR QUE COMUNICO O FALECIMENTO DA VÓ DOZOLINA SABADIN CAOVILLA, CASADA COM VICENTE CAOVILLA (IN MEMÓRIAN), COM 95 ANOS DE IDADE OCORRIDO HOJE (23.08.2010) ÁS 15:00 EM FREDERICO WESTPHALEN RS.
Interessante como, a partir de certa idade, você começa a se dedicar a um novo passatempo ao qual dou o nome de “revirar o baú de recordações”. E assim é que hoje resolvi ir bem fundo, buscando recordações de meu avô materno – Adamo Caovilla.
São poucas, porém muito doces, as lembranças que foram registradas em também poucos anos de convivência. Na memória da criança de cinco anos de idade ficou a figura austera de um senhor muito bondoso. Estatura mediana, cabelos bem grisalhos, cortados muito rentes e a voz de trovão, naquele inconfundível sotaque italiano – detalhes que completam a imagem que guardo de meu avô.
Reviro mais um pouquinho o baú e encontro vovô sentado em uma cadeira de balanço, ao lado de um antigo aparelho de rádio ouvindo notícias do Brasil, mas com o coração e o pensamento bem distantes, vagando, quem sabe, pela sua querida Itália.
De repente, quase posso ouvir as notas de uma dolente canção italiana que saem pela corneta do velho gramofone, colocado sobre o aparador da enorme sala de jantar. E vovô com o olhar perdido, embalado pelo ritmo monótono da cadeira, a saudade a lhe martelar o peito.
Em momentos como estes, “Madonna mia”, ai do neto que se atrevesse a importuná-lo...
Ele aprendera sozinho a dominar as palavras do novo idioma e por isto o vejo agora com um jornal nas mãos, lendo para vovó ouvir, algo que achara interessante.
Os quadros se sucedem e, um pouco apagada pelo tempo, vem a lembrança de um primeiro de janeiro e ele, da sacada da fazenda, atirando moedas para o alto. Embaixo, os netos em atropelo tentando apanhá-las. Segundo dizem, este era um costume italiano que ele conservou talvez como uma recordação de sua própria infância...
Nada mais posso contar que não seja por ouvir dizer: que vovô era progressista, que gostava de viajar e de andar bem vestido, que os pobres da Vila Vicentina o adoravam e que vovó Adélia morria de ciúmes dele.
No dia 11 de setembro de 1955, com apenas 64 anos de idade, vovô faleceu. Era dia do meu aniversário. Durante alguns anos, a alegria desta data desapareceu e, no coração de todos, ficou a profunda tristeza de ter perdido uma pessoa muito, muito querida.
(Vera Lúcia Belato Baldim)
Nepomuceno, 11 de setembro de 2009
Caovilla no estado do Espírito Santo
Documento encontrado no Arquivo Público do Espírito Santo registra a entrada de Cândido Caovilla naquele estado como segue:
Embarque em Gênova em 8 de fevereiro de 1889 e desembarque no porto de Vitória em 28 de fevereiro de 1889.
Navio Adria - Naturalidade Vedelago região de Treviso - Destino Colônia de Vitória(ES). Membros:
Cândido Caovilla, 55 anos, filho de Bortolo Caovilla;
Mariana Nasato - esposa, não consta a idade;
Melânia, filha, 17 anos; Otávia, filha, 15 anos; Ida, filha, 13 anos; Ernesto, filho, 11 anos e Florinda, filha, 27 anos.
Obs: Cândido Caovilla, filho de Bartolo Caovilla e neto de Vincenzo Caovilla e Maria Santinon era primo de Luigi Caovilla. Veio para o Brasil 4 anos, mais ou menos, antes de Ferdinando e 9 anos antes de Luigi. Pesquisamos em algumas cidades do Espírito Santo, mas, não encontramos nenhum documento sobre Cândido e seus descendentes.